Tudo o que um lápis pode conter

Espaço de partilha sobre as actividades de Expressão como Actividades Globalizantes e Interdisciplinares fundamentais no desenvolvimento da criança. Teve por base a acção de formação que já partilhei ao longo de alguns anos, mas pretende-se ir mais além...Compreender a arte da criança, simplesmente respeitando-a, nesse acto individualizado de expressão
livre, que só a si lhe pertence e como tal deve ser respeitado.
Espaço ainda para a literatura infantil como mediador e receptor da expressão livre e espaço para a arte em geral!



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010


Formação:

O Outro lado do Lápis - Desenvolvimento Gráfico Infantil e áreas de Expressão

Formadora:Elvira Silva
Local
Instituto Português de Pedagogia Infantil, Póvoa de Santo Adrião
Destinatários
Educadores e Professores do 1º CEB *
Modalidade
Curso
Calendarização
Fevereiro: 23; Março: 11, 18 ; Abril: 08, 15, 22 Horário: 17h30/21h; Maio: 06 Horário: 17h30/21h30
Nº de Horas
25
Unidades de crédito
1
Registo de Acreditação
ACC - 61182/09
Conteúdos
- Jogos de expressão, exploração, experimentação, relação corporal e globalização dos saberes; - A expressão e Educação dramática; - As actividades de Expressão como Actividades Globalizantes e Interdisciplinares. A certificação da acção está condicionada à obtenção de aproveitamento no curso * Para efeitos de aplicação do nº3 do artigo 14º do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente acção releva para a progressão em carreira de Professores dos Grupos 100 e 110.
Inscrições em http://www.apei.pt/

A Evolução do desenho infantil (Parte III)

Para Luquet (1969), outro autor que descreve as etapas da expressão gráfica, a evolução do desenho passa por cinco estádios que vão acompanhando o desenvolvimento motor e psicológico da criança, até atingir as características inerentes ao desenho de um adulto.
No primeiro estádio (até aos dois anos) a criança realiza traços ainda desprovidos de qualquer significado ou semelhança com o real, são as garatujas.
Num segundo estádio (dos dois aos três anos), a criança descobre que os traços desenhados se parecem com algo conhecido, imprimem-lhe um significado e começam a tentar reproduzi-los até atingirem uma forma próxima do real apreendido. Dá-se aqui a passagem do "realismo fortuito" ao "realismo intencional".
No terceiro estádio (dos três aos quatro anos), o do "realismo falhado", a criança ainda não consegue um desenho perfeito, dada a sua imaturidade motora (controle dos movimentos gráficos) e psicológica (dificuldade em concentrar a atenção e em relacionar os elementos do objecto a desenhar, como por exemplo acaba de desenhar um traço e já não se lembra o que se lhe segue).
No quarto estádio (a partir dos quatro anos), o do "realismo intelectual", o desenho já é considerado realista, já contém os elementos todos que compõem o objecto, acrescentando ainda os elementos abstractos que a criança lhe atribui, como por exemplo, legenda as figuras, escreve-lhes os nomes, como se fosse uma característica da figura desenhada.
Tenta uma representação o mais objectiva possível, sendo os desenhos muito completos, utilizando destaque dos elementos do objecto real quando se oculta um outro; transparência (mesa dentro da casa, por exemplo), planificação, rebatimento e mudança de ponto de vista. Considera-se esta fase, em que tudo é revelado no seu todo, o estádio de ouro do desenho infantil.
No quinto estádio (dos oito aos nove anos), à transparência do período anterior sucede a opacidade, aos rebatimentos e mudança de ponto de vista sucede a perspectiva. Entramos assim no último estádio o do "realismo visual". Encontra-se já a lógica e a preocupação estética que aliadas à crítica do seu desenho, constituem as características do desenho do adulto.
Esta classificação tem sido muito contestada pois o fim do desenvolvimento do grafismo, o realismo visual, é a submissão às normas do adulto, à linearidade, à ideologia de uma estética ultrapassada.
EC
Bibliografia: Luquet, G. H. (1969) . O desenho infantil. Porto: Livraria Civilização.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


A Evolução do desenho infantil ( Parte II)
Para Lowenfeld (1961), quando a criança atinge o "estádio esquemático" (entre os sete e os nove anos), a criança representa a figura humana conseguindo desenhar quase todas as partes do corpo, ou mesmo todos os seus segmentos, como também é capaz de repetir uma mesma forma para representar o seu conceito de homem - o esquema.
Inicialmente, a figura humana, antes de se enriquecer com diversos pormenores, é representada por figuras geométricas, ou outras, que apenas têm significado no conjunto, pois isoladas, não têm relação com os segmentos do corpo que pretendem representar.
O esquema pode ser mais ou menos flexível ou então estereotipado. Assim, se a criança adapta o seu esquema, adapta-o à acção que quer representar, omitindo certas partes do corpo por não serem relevantes para o que pretende transmitir, ou então, exagerando outras para evidenciar o que foi importante na situação vivida. Trata-se de um esquema flexível.
Se, no entanto, a criança se fixa e se utiliza sempre em todas as circunstâncias o mesmo esquema sem o transformar, esse esquema é um estereótipo.
Lowenfeld (1961), refere que na transição do "estádio esquemático" para o início do "estádio do realismo", a criança enriquece o esquema da figura humana com pormenores que se aproximam da representação do real.
A influência do meio começa a fazer-se sentir de modo mais consciente e os objectos são representados minuciosamente. A criança já se preocupa com as relações de tamanho e de posição, embora apenas a nível de duas dimensões - a altura e o comprimento. Começa depois a surgir a representação da terceira dimensão, com bastante acuidade, levando a criança a tentar diversas vias para o conseguir. Um dos processos é o rebatimento do plano vertical no horizontal.
Dado o seu carácter transitório, alguns dos parâmetros que definem o "estádio do esquemático" coexistem com outros que são próprios do estádio subsequente.
Quando a criança começa a ter discriminação visual suficiente para estabelecer comparações entre a forma dos objectos e a forma das representações que faz deles, normalmente fica descontente, sendo capaz de se inibir perante esta actividade.
A criança possui já um grau de exigência que a motiva na procura da construção de imagens cada vez mais próximas do objecto representado. É o início do "estádio do realismo". Surge a partir daqui, a representação de actividades reconhecíveis no desenho, tentando mesmo individualizar as pessoas por meio de características que lhe são próprias (feições, vestuário, etc.). No que se refere à representação do espaço, a criança, preocupa-se com os pormenores. Utiliza a sobreposição. Quanto à terceira dimensão, continua a tentar uma forma que a satisfaça, relaciona os tamanhos dos objectos com as distâncias a que deles se encontra o observador.
EC
Bibliografia:
Lowenfeld, V. (1961) . Desarollo de la capacidad creadora. Buenos Aires:
Editorial Kapeluz.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010



A Evolução do desenho infantil - Parte I

A partir de hoje deixarei aqui, a evolução do desenho segundo os diversos autores que o estudaram.


Segundo Burt (1922), surgem várias fases no desenvolvimento do desenho da criança. A primeira fase de "rabisco ou garatuja" que vai dos dois aos quatro anos, subdivide-se em: a) traçados a lápis sem objectivo, com movimentos puramente musculares do ombro, normalmente da direita para a esquerda; b) traçados a lápis com objectivo no qual o rabisco é um centro de atenção e pode ter um nome; c) traçados a lápis imitativos, o interesse dominante é ainda muscular, mas os movimentos do pulso substituíram os dos braços, e os movimentos dos dedos tendem para substituir os movimentos do pulso, normalmente num esforço para imitar os movimentos de um desenhador adulto; d) rabiscos localizados nos quais a criança procura reproduzir partes específicas de um objecto. Esta última sub - fase constitui uma etapa de transição para a segunda fase, denominada fase da "linha" que surge aos quatro anos e que se caracteriza pelo controlo visual.
A figura humana torna-se o tema favorito, com círculo para a cabeça, pontos para os olhos e um par de linhas simples para as pernas. Mais raramente, um segundo círculo pode ser acrescentado para o corpo, e ainda mais raramente um par de linhas para os braços. É vulgar representar os pés mais cedo do que os braços ou o corpo. Não se obtém uma síntese completa das partes e muitas vezes esta não é tentada.
A terceira fase do "simbolismo descritivo" que ocorre entre os cinco e os seis anos
caracteriza-se pelo facto da figura humana ser agora reproduzida com cuidado tolerável, mas como um esquema simbólico rude. As características são localizadas da maneira mais grosseira e cada uma delas é uma forma convencional.
O "esquema" geral assume um tipo um tanto diferente de criança para criança, mas cada uma mantém-se bastante fiel, para a maior parte dos casos e durante longos períodos, ao mesmo modelo favorito.
Na quarta fase do "realismo descritivo" que surge entre os sete e os oito anos os desenhos são ainda mais lógicos, mais do que visuais.
A criança representa o que conhece, não o que vê; e ainda pensa não no indivíduo presente, mas sim no tipo genérico. Tenta exprimir-se ou representar num tema tudo de quanto se lembra, ou tudo o que lhe interessa. O "esquema" torna-se mais verdadeiro em relação aos detalhes; contudo, os temas são sugeridos mais pela associação de ideias do que pela análise de objectos percebidos. As figuras de perfil do rosto são ensaiadas, mas ainda não se considera a perspectiva, a opacidade, o esforço e todas as consequências da singularidade. Há um interesse pelos detalhes decorativos.
Na quinta fase a do "realismo visual" que aparece entre os nove e os dez anos, a criança passa da fase de desenho de memória e imaginação para a fase de desenho da natureza. Subdividindo-se em: a) fase bidimensional onde a criança apenas usa o contorno; b) fase tridimensional na qual há a tentativa da consistência. Dá-se atenção à sobreposição e à perspectiva. Pode existir a tentativa de um pouco de sombra. Experimentam-se as paisagens.
A sexta fase denominada "repressão" que ocorre entre os onze e os catorze anos, acontecendo mais vulgarmente aos treze, caracteriza-se por uma maior lentidão e tentativa de minúcia, o que leva a criança a sentir-se desiludida e desencorajada.
O interesse é transferido para a expressão através da linguagem, e se o desenho continua a ser a preferência surgem desenhos convencionais, e a figura humana torna-se rara.
A sétima e última fase, o "renascimento artístico" surge a partir de cerca de 15 anos (primeira adolescência); o desenho floresce pela primeira vez numa actividade artística genuína. Os desenhos contam agora uma história. É evidente uma nítida distinção entre os sexos. As raparigas mostram agrado pela riqueza da cor, pela graça da forma, pela beleza das linhas; os rapazes tendem a usar o desenho mais como uma saída mecânica e técnica.
EC
Bibliografia: Burt, Sir C. (1922) . Mental and Scholastic Tests . Londres.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A história de Van Gogh. O rapaz dos Girassóis.

Anholt, Laurence (2007). A história de Van Gogh, O rapaz dos Girassóis.
Ed: Círculo de Leitores

A arte expressa-se por necessidade. Van Gogh, tal como as crianças sentia esse impulso. Tentava expressar os seus sentimentos e emoções nos seus quadros, trabalhando inúmeras vezes, dias sem parar. Vincent Van Gogh não foi muito reconhecido na sua obra e nas suas criações (em muitos casos, tal como nas crianças). Factos provam que não vendeu um único quadro em vida.

Hoje é reconhecido como um dos mais famosos pintores em todo o mundo. Durante a sua vida curta, pintou mais de 800 quadros. Um dos seus quadros mais enigmático é o Girassóis.
Este livro conta a história de um génio pintor, sobre esse quadro, mas também sobre a aceitação da diferença.
Neste livro apresenta-se reproduções dos seus quadros e a história é um convite a todos os sentidos!!
EC
Convido-os a ver o filme desta história em
http://www.anholt.co.uk/funclub/video-storytime

O desenho é uma das manifestações semióticas, isto é, uma das formas através das quais a função de atribuição da significação se expressa e se constrói. Desenvolve-se concomitantemente com outras manifestações, entre as quais o brinquedo e a linguagem verbal (PIAGET, 1973).
A evolução do desenho manifesta o processo de desenvolvimento, passando por etapas que caracterizam a maneira da criança se situar no mundo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010


"O convite à expressividade é um instrumento privilegiado para favorecer a vivência fundamental de palpar ‘o sentir do acontecer’, que António Damásio descreve como núcleo do ‘sentimento de si’ e que o educador deve promover nas crianças e nos jovens, a par com a transmissão de todos os recursos de informação e de aplicação de conhecimentos que a escola deve facultar.
Se a educação pela arte é uma disciplina dedicada à tomada de ‘consciência nuclear’ das capacidades espontâneas de expressão emocional e do sentimento de autoria do ‘Eu-mesmo’, então trata-se de um processo de eleição que o educador deve privilegiar desde a creche e o jardim de infância, em todos os seus actos e com todos os seus recursos». (LEAL, 2000, pág.183)

Leituras

Leituras
Os livros que se seguem apresentam as minhas opiniões sobre os mesmos. Exclusivamente o que o "meu lápis pode conter". EC

O Rei Inchado

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Todos os escritores do mundo têm a cabeça cheia de piolhos

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Gigante Gigantão

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O pato amarelo e o gato riscado

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CINCO PAIS NATAIS E TUDO O MAIS

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A ferramenta que faz os contos

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O caderno do avô Heinrich

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PEQUENO LIVRO DAS COISAS

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achimpa

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Tu tens direito

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O meu avô

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"um, dois, três, conta lá outra vez"

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Minhamãe

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Tous les chats

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A Locomotiva

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ERA UMA VEZ UM CÃO

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Do outro lado do mundo

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Apresento-vos KLIMT

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O amor e a amizade

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A História de Van Gogh. O rapaz dos girassois

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Eu sei tudo sobre as mamãs

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o Livro da Avó

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As partidas do Sebastião

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Papá, diz-me porque não andam as Zebras de patins?

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O Meu e o Teu

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Zé Pimpão, o «Acelera»

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As Férias do Pai Natal

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De Que Cor É o Desejo?

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Músicos contados aos jovens

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O Livro da Avó

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