Tudo o que um lápis pode conter

Espaço de partilha sobre as actividades de Expressão como Actividades Globalizantes e Interdisciplinares fundamentais no desenvolvimento da criança. Teve por base a acção de formação que já partilhei ao longo de alguns anos, mas pretende-se ir mais além...Compreender a arte da criança, simplesmente respeitando-a, nesse acto individualizado de expressão
livre, que só a si lhe pertence e como tal deve ser respeitado.
Espaço ainda para a literatura infantil como mediador e receptor da expressão livre e espaço para a arte em geral!



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As Férias do Pai Natal

As Férias do Pai Natal
Texto de Lourdes Custódio Ilustrações de José Cardoso Marques
(2001), As Férias do Pai Natal. Porto: Campo das Letras.
 
Fantasia, sonho e imaginação misturados nos contextos reais da vida das crianças é o resultado deste pequeno livro em tamanho, mas grandioso de significado e poesia.
Porque o Pai Natal também sente e vive no mundo dos nossos dias, revela-se nesta história um Pai Natal versátil, actual, munido de telemóvel e computador portátil que não descura a sua eterna faceta de responsável no que se refere às suas tarefas.
Um modo diferente de ver o eterno e místico “velhote de barbas”, que poderá decerto constituir um bom presente de Natal para crianças e...não só, também para quem tenha sempre presente o espírito da infância e da poesia nas nossas vidas. Um livro para qualquer época do ano, porque como diz o poeta “natal é quando um homem quiser”.
A acrescentar que a autora do livro concede ao IAC (Instituto de Apoio à Criança) todos os direitos autorais que resultam da venda deste livro.
Elvira Cristina Silva 
 
in: CEI 61 (janeiro/março 2002)
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Blimunda - revista digital nº 8

Já está disponível o nº 8 da revista digital Blimunda.
O dossier é dedicado à Banda Desenhada e à Reportagem.
Na secção infantil, juvenil e de promoção da leitura, procurámos e encontrámos uma visão particular do tempo em quatro álbuns do Planeta Tangerina e lemos uma colecção preciosa, a Gato Letrado, dedicada à leitura, à escrita e à sua promoção. Para além de se poder aceder através da página da Fundação José Saramago, também pode encontrá-lá  no scribd.
 
 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Boas Festas


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Afinal o Caracol... não é um espetáculo para bebés...

Andante é uma companhia de teatro que tem como objectivo principal a promoção da leitura, a sedução de leitores. Transformam livros de poesia, romances, contos, em espetáculos de teatro.
No seu site pode-se encontrar o que dizem deles:
"... uma das grandes dificuldades que encontramos, é conseguir explicar aos outros, por palavras, aquilo que somos e o que fazemos. O nosso trabalho não se encaixa em rótulos já existentes e ainda não conseguimos inventar um para nós. (...) Os textos que usamos – poemas, principalmente - são representados e não declamados. Somos até contra a declamação.(...) Parece teatro, não parece? E é.
Aos livros retiramos as palavras, depois envolvemo-las na sua própria sonoridade e acrescentamos sons e músicas. Misturamos tudo e servimos sob a forma de espetáculo teatral."

Sediados em Alcochete passam a maior parte do tempo a percorrer o país. Levam o trabalho muito a sério mas divertem-se muito. 
Sobre esta última frase está toda a essência deste projeto, recentemente criaram um espetáculo de promoção da leitura para bebés - Afinal o Caracol, com poesia de Fernando Pessoa, música de Joaquim Coelho e ilustrações de Mafalda Milhões no cartaz e execução de livro, revelam-nos o quanto se divertem enquanto divertem os que assistem.

Afinal o Caracolrevela-nos em cena a  história de um caracol, das cócegas que ele fazia, de como ele virava e girava, e de como acabou por não cair.
Sobre este espetáculo referem "
Brincamos com as palavras. São o nosso brinquedo favorito. Brincamos com a música das palavras, com a leveza das palavras, com o tamanho das palavras, com a pressa e a lentidão das palavras e também... com o silêncio."


afinal o Caracol...
25 minutos - dos 6 meses aos 3 anos
 







Mas Afinal o Caracol não é para crianças dos 6 meses aos 3 anos...



é para todos aqueles que se deliciam nas palavras da poesia, se enternecem na sonoridade das palavras, na beleza das expressões faciais, no riso que abre as portas do sentido para a vida, na ambiguidade que possibilita outras leituras e interpretações.

Isto se nos centrarmos apenas no que visualmente nos é oferecido, e não me alargar à música de Joaquim Coelho que nos embala e enternece ou ao livro fabuloso criado pela Mafalda Milhões

Não existem palavras para descrever a beleza indescritível de um espetáculo que é perfeito. Extremamente bem pensado, encenado por Fernando Ladeira, para resultar de modo simples e ser soberbo!!  Por isso mesmo desenganem-se com a indicação da faixa etária no cartaz. É um espetáculo que comove de tanto deliciar pequenos como graúdos.
Parabéns Andante Associação
Não posso deixar de felicitar, com um carinho muito especial, a Cristina Paiva,  na representação deste espetáculo, que de modo sublime, como já nos habituou, constrói imagens que remetem ao nosso imaginário e para a qual não existem mais sinónimos senão a palavra deslumbrantemente belo e harmoniosamente provocador aos nossos sentidos.




Para finalizar, podemos levar para casa o CD, este não é só uma banda sonora do espetáculo, constitui por si só uma beleza estética audível que completa as nossas emoções e reminiscências infantis.




(...) quando lemos versos que são realmente admiráveis, realmente bons, temos a tendência para o fazer em voz alta. Um verso bom não permite ser lido em voz baixa, ou em silêncio. Se pudermos fazê-lo, não é um verso válido: o verso exige ser pronunciado. O verso recorda sempre que foi uma arte oral antes de ser uma arte escrita, recorda que foi um canto.
Jorge Luis Borges

ECOS

Afinal o Caracol
Elvira Silva
"Afinal o Caracol é o espetáculo mais recente da Andante, companhia de teatro que tem como principal objetivo a sedução da leitura, transformando em espetáculos de teatro o que leem em livros de poesia, romances ou contos.
Brincam com as palavras, criam novas roupagens com música e movimento, dão-lhes outra sonoridade, brincando com os seus sons ou mesmo com o silêncio.
Afinal o Caracol, com poesia de Fernando Pessoa, é a história de um caracol, das cócegas que ele fazia, de como se virava e girava, um espetáculo indicado de promoção da leitura para bebés.
No entanto, desenganem-se! Quem assiste a este espetáculo pode confirmar que Afinal o Caracol não é para crianças dos 6 meses aos 3 anos. É para todos aqueles que se deliciam com as palavras da poesia, se enternecem com a sonoridade das palavras, com a beleza das expressões faciais, com o riso que abre as portas do sentido para a vida, com a ambiguidade que possibilita outras leituras e interpretações.
E isto apenas se nos centrarmos no que visualmente nos é oferecido pela Cristina Paiva na sua representação deste espetáculo, que, de modo sublime, constrói imagens que remetem ao nosso imaginário, tornando-o deslumbrantemente belo e harmoniosamente provocador dos nossos sentidos. Para além da representação existe a música alegórica de Joaquim Coelho, que nos embala e enternece, ou o livro fabuloso criado pela Mafalda Milhões.
Impossível encontrar as palavras certas para descrever a beleza de um espetáculo perfeito, extremamente bem pensado, encenado por Fernando Ladeira, para resultar de modo simples e ser inaudito! Por isso mesmo desenganem-se com a indicação da faixa etária no cartaz. É um espetáculo que comove, de tanto os deliciar, pequenos e graúdos.
Para além disso, existe ainda o CD, que não é apenas a banda sonora do espetáculo, constituindo um objeto de beleza estética audível que completa as nossas emoções e reminiscências infantis.
 Elvira Cristina Silva

Texto publicado no CEI n.º 97 (Setembro/Dezembro 2012) rubrica Ecos (pág. 29)

Eterna Biblioteca 2012


Mais uma vez a Eterna Biblioteca em Sintra



inscrição em:

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Prémio Nacional de Ilustração 2011

O GREVE recebeu uma Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração!

Nas palavras do júri «Em cada página, personagens e cenário hesitam inconformados com o imprevisível de situações minuciosas e com escolhas coerentes entre o recorte e a delicadeza do traço. A dimensão elíptica do texto permite que a imagem construa narrativas paralelas sinergicamente disponíveis para a perceção atuante sobre o microssistema visual.»

O PNI foi atribuído à obra «Os animais domésticos», da Maria João Worm e a outra Menção Especial ao livro «Cesário Verde - Antologia poética», do José Manuel Saraiva.



O júri destacou ainda a obra de André Letria, pelas ilustrações de «Se eu fosse um livro».








Sobre o livro "Os animais domésticos", da Maria João Worm deixo aqui o post

Em termos de produção, este livro contém material feito antes de Electrodomésticos Classificados, com o qual estabelece mais do que uma afinidade, quer dizer, para além da óbvia relação de pertencer à mesma mão autoral, partilha elos semânticos, iconológicos, temáticos, etc. Essa informação, porém, é um problema em si mesmo. Por um lado, trata-se de uma camada cujo acesso não é universal aos leitores, logo, é totalmente desprovida de importância para a leitura, interpretação e fruição da obra da sua parte (tal como é a liberdade de ler um livro de uma autora e não ler um outro da mesma, e isso não significar uma leitura mais pobre necessariamente). Por outro, mal ela surge, é impossível dissipá-la e não querer que estabeleça uma qualquer pressão de interpretação sobre o livro e, até retrospectivamente, sobre o outro.
Este é um objecto belíssimo, em acordeão, impresso em offset, mas baseado em trabalhos da artista em linogravura (julgamos nós), feitos sobre papel de seda, multicoloridos, com legendas escritas numa ponta de lápis afinadíssima e ainda a intervenção de carimbos. Tudo isto faz parte do arsenal material de Maria João Worm, que sempre foi não apenas pluridisciplinar mas totalmente livre, flutuante e mesclado. O resultado são 9 imagens, cada uma com um animal (nalguns casos aos pares, num só dois animais) diferente ocupado numa tarefa doméstica - passar a ferro, lavar os rodapés estender a roupa, lavar a loiça. Há ainda um texto final, que pode ser visto como uma mistura de texto explicativo e programático, pequeno poema em prosa, ou condutor de ideias. Nele, a autora (imaginemos que se trata de um exercício autobiográfico) conta como quando começou a cumprir tarefas domésticas as suas referências eram do mundo da arte, o que a levaria a ser como “Bonnard a dar banho à loiça” ou “Matisse nas molas”… O resultado é que a sua “profissão sincera era a de doméstica plástica”. Que cada animal ou par de animais seja uma projecção de uma mesma pessoa parece estar prometida na capa da publicação, onde uma mulher se encontra numa pausa do seu trabalho, rodeada dos seus animais. O que veremos no interior serão o seu sonho acordado?
Este livro não é narrativo, no sentido em que não tem uma situação unívoca que se vai complexificando e desenvolvendo ao longo das páginas. Não há cruzamentos entre as personagens, nem momentos de cronologias múltiplas. Trata-se tão-somente de uma colecção de imagens díspares, todas unidas pelas tarefas domésticas e pelo facto de serem animais antropomorfizados a cumprirem-nas. Esta antropomorfização é feita de uma forma simples, sem recorrer a transformações icónicas ou figurativas sobre os animais (uma das mais usuais estratégias na ilustração infantil, por exemplo), ou manipulação das escalas, com a excepção das suas posições ou gestos. Na verdade, recorda-nos o emprego que Ladislaw Starewicz fazia com os insectos nos seus filmes de animação, cujos resultados são sempre unheimliche.
De certa forma, é como se fosse uma forma de dar corpo ou imagem a uma tradição popular portuguesa, que encontra nos “Contos da Carochinha” a sua prestação mais acabada. Seria interessante levantar daí as implicações sócio-culturais, os papéis que os animais tinham para representarem tipos da paisagem portuguesa, a distribuição de papéis ao longo de linhas sexuais, económicas e culturais, e tentar encontrar que ecos poderiam ter com estes animais domésticos. Estas imagens, e os seus brevíssimos textos explicativos, legendas quase desprovidas de qualificativos, criam uma imagem ideal do espaço doméstico, semi-ficcional semi-realista. Os pormenores gráficos, a forma como alisam a representação e tornam cada um destes espaços numa superfície (independentemente de serem trabalho de gravura, que implica sempre uma ideia de profundidade, de escavamento dessa mesma superfície lisa original, e esta questão complicar-se-á com o uso das cores), concorrem para essa imagem idealizada.
Se bem que não apresente um mesmo nível de complexidade, este livro de Worm aparenta-se ainda com os emblemata clássicos, como os de Alciato. Invertendo a presença de dois textos (o mote, inscriptio, e um poema narrativo/explicativo, subscriptio) e uma imagem (pictura), a artista apresenta sempre duas imagens - uma maior, gravada, e uma menor, carimbada - e uma brevíssima frase. No entanto, a relação da imagem menor, icónica, esquemática, carimbada, não traz uma dimensão de desdobramento da primeira imagem, mas apenas uma sua simplificação, uma espécie de sublinhado, de ponto final. As imagens gravadas apresentam sempre um trabalho de duas ou três cores (não contando com o branco da não-impressão), levemente descentrados ou não respeitando os contornos dos objectos, ou até mesmo em que cada cor se comporta como uma superfície autónoma, todas elas sobrepostas sem hierarquias claras, o que leva a uma sensação de desfocamento, de perda de controlo (onde, até à década de 1970, isto seria visto como um erro de impressão, Maria João Worm explora-o na sua totalidade como mais um instrumento de expressão e criação plástica). Daí que a segunda imagem menor possa servir de contraponto decisivo.
Ao mesmo tempo, a moldura branca em torno das imagens centrais, a sua colocação no centro da página, e as letras a lápis muito bem desenhadas, fará recordar também um álbum de fotografias, no qual quem o compõem anota uma breve rememoração, para mais tarde recordar. Daí que algumas sejam meramente descritivas, sem mais - “1 Porco passa a ferro se 1 Peixe borrifar a água” -, outras acrescentem informações circunstanciais - “2 Coelhos estendem a roupa num dia de vento” - , outras ainda atinam numa sensação da personagem - “1 Gato a sacudir minuciosamente um pano do pó á janela”. Claro que aquele “se” da primeira frase já possui em si mesmo a promessa de um desdobramento maior narrativo, estabelecendo uma relação, mais do que de cooperação, de dependência entre um e outro, senão mesmo hierárquica. Porque é que o peixe poderá não borrifar a água? Por uma briga anterior? A relação entre os dois encontra-se frágil?
Os usos que este livro poderá conter, parece-nos, é tão alargado quanto o número dos seus eventuais leitores. É um livro que nos parece habitar um território tão vasto quanto reduzido, onde se cruzarão muitas fronteiras, de livro de artista a livro ilustrado infantil, de exercício plástico a mais um bloco na operação contínua da obra de Maria João Worm.
No fim do dia, é um livro, unidade autónoma e provida de vida própria, e isso é já em si uma enorme conquista.

Leituras

Leituras
Os livros que se seguem apresentam as minhas opiniões sobre os mesmos. Exclusivamente o que o "meu lápis pode conter". EC

O Rei Inchado

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Todos os escritores do mundo têm a cabeça cheia de piolhos

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Gigante Gigantão

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O pato amarelo e o gato riscado

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CINCO PAIS NATAIS E TUDO O MAIS

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A ferramenta que faz os contos

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O caderno do avô Heinrich

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PEQUENO LIVRO DAS COISAS

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achimpa

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Tu tens direito

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O meu avô

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"um, dois, três, conta lá outra vez"

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Minhamãe

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Tous les chats

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A Locomotiva

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ERA UMA VEZ UM CÃO

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Do outro lado do mundo

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Apresento-vos KLIMT

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O amor e a amizade

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A História de Van Gogh. O rapaz dos girassois

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Eu sei tudo sobre as mamãs

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o Livro da Avó

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As partidas do Sebastião

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Papá, diz-me porque não andam as Zebras de patins?

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O Meu e o Teu

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Zé Pimpão, o «Acelera»

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As Férias do Pai Natal

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De Que Cor É o Desejo?

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Músicos contados aos jovens

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O Livro da Avó

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